Enduro Independência 2009 - "Causos do Aerotrilha"

Pessoal,

Este ano, meu Independência prometia muito, tínhamos pelo menos uns 6 pilotos que estavam "firmes" em ir andar, tínhamos patrocinadores interessados e etc. Mais aí foi chegando a hora e sumiu todo mundo. Só restou eu e o Gustavão "Zóio" e nada do tal patrocínio (normal, nunca tive mesmo). Mesmo assim, o Gustavão só confirmou que iria na segunda-feira (isso mesmo, a largada promocional era na terça). Desta forma, com um orçamento "severamente" restrito a gente literalmente "meteu as caras" e fomos para o Independência. Nosso apoio seria o Luiz Henrique “Neco”, mecânico e piloto de cross, que iria nos acompanhar na base da amizade (velho amigo do Zóio).

Pra começar a via Sacra, com a tardia confirmação do Zóio, tive que na terça de manhã correr atrás de instalar um reboque no Astra e arrumar uma carretinha emprestada pois não dá para ir de Strada Cabine estendida em três pessoas e duas motos. Resultado: só as quatro da tarde estávamos saindo de Pindamonhangaba rumo a Poços de Caldas (300 km). Não precisa nem dizer que chegamos as 7:40 no Shopping e tive que correr pra caramba para pegar material (a secretaria já estava fechando quando cheguei), vistoriar a moto e fazer largada promocional. Correria dos infernos. Ainda tive que pegar o GPS Rastro e a programação antes de ir para o Hotel.

Mas enfim, contra todos os prognósticos, estávamos no Independência 2009. Veremos a seguir, os principais fatos desta aventura:

HOSPEDAGEM

Acho que vocês já perceberam que nossa pequena não tinha nada reservado, quem dera alguma coisa do tipo “turma da Mônica”. Na verdade, nós estávamos mais para “turma do Mendigo”. Vejam bem, na terça em Poços, saímos do shopping e o primeiro hotel que encontramos no caminho, já tinha um preço justo para nossas pretensões e ficamos por lá mesmo.

Em Águas de Lindoya, que é notoriamente um lugar caro de hospedagem, o Neco conhecia um lugarzinho bem simples, mas honesto e também com aquele preçinho camarada. Eram uns chalés que pertecem à família do Ximboca, que é um conhecido narrador de motocross da região, gente fina demais.

Em Monte Verde, o preço dos hotéis também nos assustou, mas arrumamos também uns chalés com um preço bem razoável e ótimo conforto. O único detalhe é que o Neco e o Zóio tiveram que dormir em uma cama de casal, até rolou um clima entre eles, mas nós do Aerotrilha não temos esse tipo de preconceito, eles podem ser duas bichonas mas são nossos amigos HEHEHEHE...

Mogi que fica a 40 minutos de São José foi mais fácil ainda: Ficamos na minha casa e pronto. Quer mais conforto que isso !?

ALIMENTAÇÃO

Nossa alimentação foi super balanceada, praticamente preparada por um nutricionista... De cara na terça-feira, mandamos um rodízio de carnes, na quarta rolou pizza, quinta um Pê-Éfão e sexta mais um rodízio de pizzas e massas.

Durante o dia, depois de um bom café da manhã (pão, banana e suco) íamos a base da barrinha de cereal e de banana e também enchíamos o camel back com isotônico, o que ajudou demais, recomendo.

Veja bem que sempre optamos por opções econômicas de alimentação, mesma em Monte Verde, que é uma cidade cara, demos um rolê de carro e achamos um restaurante mais simples que ofereceu um ótimo PF a um preço bem camarada. Também toda noite íamos a um supermercardo comprar Isotônico, barrinhas, banana e etc, evitando comprar em lojas de conveniência e correlatos.

TRANSPORTE

Como falei anteriormente, eu usei o Astra rebocando a carretinha. Foi uma boa opção, pois o carro tem um motor adequado, bom porta-mala e não é tão gastador.

MOTOS

Ponto importante. Eu fui de KTM XCW 300 (2 tempos) e o Gustavão de DRZ-400. Como as motos estavam em boa condição de manutenção foi necessário apenas colocar um par de pneus médios (que agüentaram muito bem os quatro dias e ainda vão durar mais umas quatro provas pelo menos), relação nova e um par de pastilhas. Seria problema, por exemplo se uma das motos estivesse fumando ou com motor fazendo barulho, mas para quem mantém a manutenção em dia, o Independência é, com certeza, uma prova que não assusta.

Sobre a minha moto: Que moto maravilhosa essa 300, traciona como qualquer outra moto de 4 tempos (principalmente quando o comando de tração está na posição “chuva”) só que é muito mais leve. Fiquei apaixonado pela motinha.

APOIO

Sou imensamente grato ao Neco por ter se oferecido em ir nos apoiar, apenas na base da amizade (arcamos com sua despesa de alimentação e hospedagem). Ele é um excelente mecânico e me deu uns toques e dicas cruciais para o acerto da suspensão da minha moto. Passei por aquele trecho de ferrovia e pedras do primeiro dia passeando, a moto ficou redonda demais. É muito apropriado conseguir um apoio que tenha conhecimento de mecânica e principalmente boa vontade e disposição.

A PROVA

A prova foi legal demais, quem quiser saber mais, dê uma acessada nas matérias que fiz sobre cada dia de prova. Em resumo: foi uma prova muito bem balanceada, linear e sempre “andando pra frente”. Foi muito trilheira e mesmo sob forte chuva não “enguiçou”. Mérito para os levantadores.

Sobre o desempenho de nossa equipe, nossa pretensão era muito básica: queríamos apenas completar a prova, fazer a trilha e, principalmente, nos divertir e este objetivo nós conseguimos alcançar, pois como disse, a prova bem balanceada foi extremamente divertida, sem sofrimento, repleta de trilhas e paisagens, coisa maravilhosa. Prova feita para todo mundo completar.

Quanto a resultado, nem sei a minha classificação. Para vocês terem idéia, arrumei uma confusão do inferno com o GPS RASTRO no último dia e acabei andando sem as máquinas, isso mesmo, se olharem o resultado, vai parecer que eu nem larguei, mas eu tava lá curtindo aquele trilhão junto com todo mundo e acelerando gostoso...

- $$$$ OS CUSTOS $$$$ -

Transporte – o Astrinha valente que só ele rodou 1150 km e deu uma média de 9 km/l, com a gasosa em média a 2,45 ficou em R$ 315,00

Alimentação – comemos bem pra caramba, mas sempre dando uma pesquisada, no final ficou para os três em torno de R$ 400,00 incluindo as compras de supermercado.

Hospedagem – Gastamos para os três R$ 330,00 (90 reais em Poços de Caldas, 90 em Águas de Lindóia e 150 em Monte Verde, em SJC foi de graça)

Gasolina das motos – A DRZ era um pouco mais econômica que a 300, a despesa ficou em torno de R$ 330,00 para as duas motos.

Revisão e troca de peças – A gente pagou em torno de 250 reais em um par de pneus de boa qualidade (Rinaldi RMX 35 120/100 atrás e o Rinaldi RMX na frente), mais 180 em uma relação completa (coroa Riffel, pinhão Riffel e corrente KMC) e 70 reais em um par de pastilhas mais os consumíveis (lubrificantes, querosene, produtos de limpeza e etc) que não vai mais que 30 reais. Tem a mão de obra para a troca destas peças que é bem básica, no máximo 50 reais.

Inscrição – Programando-se é só pagar no começo do ano que sai a 700 reais.

Então somando-se estes valores (multiplicando-se por dois peças e inscrição) chegamos ao valor de 3935 reais. Arredondando-se gasta-se para uma equipe de dois pilotos mais um apoio, cerca de 4000 reais, ou seja, 2000 reais para cada um. Não é bem uma pechincha mas é um valor que se a pessoa se preparar pode arcar sem maiores sofrimentos (imagine fazer uma poupança junto 200 reais por mês).

Se colocar um pouco mais de “luxo” e “mordomia”, sobe no máximo para uns 2500 que continua sendo um valor acessível. Ou seja, o Independência é uma prova economicamente viável se você se esforçar um pouquinho.

Conclusão

Como sempre repito, todo trilheiro de verdade deveria experimentar pelo menos uma vez na vida ir a uma prova como o Independência. É uma overdose de trilhas por quatro dias, coisa de maluco.

Foi a minha terceira participação e foi a mais divertida. Saímos sem stress e sem maiores compromissos, com um orçamento enxuto e conseguimos completar a prova sem nenhuma dificuldade. Mesmo que eu estivesse levando a sério a competição, com este esquema “amador” eu teria praticamente a mesma tranqüilidade e condição de ter um bom resultado quanto qualquer outro piloto. Isto porque no Independência os pernoites são sempre feitos em cidades turísticas com ótima estrutura, o que deixa muito simples a tarefa de se hospedar e alimentar. Em um prova como o Rally dos Sertões que passa por locais ermos, realmente, é necessário se planejar muito cada detalhe e também o gasto é bem mais alto.

Outra coisa, é que a organização colocou a prova no meio de semana, antes do feriadão, o que também ajudou a baratear as diárias de hospedagem, foi uma ótima atitude.

Esta prova sempre foi um sonho meu e do Gustavão (que estreou este ano) e como vimos estava bem mais próximo do que poderíamos pensar. A lição é que dá para ser “amador” e participar do Independência. E se você tem dúvidas se consegue participar, o meu conselho é o seguinte: mete as caras e vai que com certeza irá se divertir.

Grande abraço a todos,

Gustavo Starling “mineiro” – orgulhoso em ser amador.

FONTE: MOTORAID - www.motoraid.com.br

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